O Objetivo do yoga

ISAVASYA (Deus no centro de nossas atividades)
Mantra um
isavasyam idam sarvam
yat kinca jagatyam jagat
tena tyaktena bhunjitha
ma grdhah kasya svid dhanam

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“O Senhor controla e possui todas as coisas animadas e inanimadas que estão dentro do universo. Portanto, uma pessoa deve aceitar somente as coias que lhe são necessárias, que foram reservadas como sua cota e não deve aceitar outras coias sabendo bem a quem pertence.”

Mantra Um – Isavasya

A infalível sabedoria védica vem até nós através da sucessão discipular, oriunda de Krsna e, portanto, está livre da imperfeição humana. Dela, nós aprendemos os detalhes sobre o arranjo perfeito e completo que o Senhor tem para nós, chamado às vezes de sistema “isavasya”.

Todas as espécies têm suas cotas, pela graça de Krsna. Por exemplo: a vaca produz leite, algo de que ela não necessita, e a espécie humana é capaz de usá-lo. A cota da vaca é o capim.

Os capitalistas e os comunistas gostam de lutar pelos recursos da natureza material, mas deveriam compreender que tais recursos são propriedade do Senhor, e assim não lutar por uma assim chamada propriedade sobre eles. Tal luta pode ser um tipo de “cota” para cães e gatos, já que eles agem sob os ditames da natureza e não recebem reações kármicas por fazê-lo. No entanto, se os imitarem, os humanos receberão reações graves, pois o
arranjo do Senhor não lhes permite isso.

O Senhor deu grandes facilidades aos humanos para que eles possam compreender Deus, mas caso não cumpram sua cota de consciência de Krsna, eles cairão. Mesmo piedade material, como o vegetarianismo, não cumpre essa cota. Mas, se uma pessoa oferece seu alimento vegetariano ao Senhor, e dedica sua vida a servi-lO, ela pode voltar ao Supremo.

Conceito de Isavasya

Baladeva Vidyabhusana explica a etiologia da palavra Isavasya da seguinte maneira:

Isa = Pelo controlador
Vasya = Que podem ser cobertos (as entidades vivas)

No contexto do verso, Isavasyam significa “Aquele que controla todas as entidades vivas.”

O conceito de Isavasyam, segundo Srila Prabhupada (Mantra Dois, pg. 13), é o conceito de que Deus está no centro. Em seu significado do Mantra Três, pg. 18, Srila Prabhupada também define isavasyam como “(…) a condição de proprietário universal possuída por Deus.”

Outros Pontos Importantes:

– Conceito de Apauruseya: É um conceito aplicado aos Vedas para indicar que eles não são oriundos de nenhuma pessoa mundana sujeita aos quatro tipos de defeitos já mencionados.

– Dado histórico: O Sri Isopanisad faz parte do Yajur Veda.

– Para explicar os pontos de aceitar apenas o que foi reservado como nossa cota e não aceitar o que pertence a outrem, Srila Prabhupada cita dois exemplos:

· Vaca: “A vaca, por exemplo, fornece leite, mas não bebe esse leite. Ela come grama e
palha, e seu leite é designado como alimento para os seres humanos.” (p. 7)

· Casa: “Uma casa, por exemplo, é feita de terra, madeira, pedra, ferro, cimento e muitos outros materiais. E, se pensarmos de acordo com o Sri Isopanisad, deveremos saber que nós mesmos não podemos produzir nenhum destes materiais de construção. Tudo o que podemos fazer é juntá-los e dar-lhes diferentes formatos através de nosso trabalho. Um trabalhador não pode afirmar que é proprietário de alguma coisa só porque trabalhou arduamente para manufaturá-la.” (p. 7)

– Analogia do Fogo: “O Ser Supremo é frequentemente comparado ao fogo, e toda coisa orgânica ou inorgânica é comparada ao calor e à luz desse fogo. Assim como o fogo distribui energia sob a forma de calor e luz, o Senhor apresenta diferentes manifestações de Suas energias.” (ps. 6, 7)

– Srila Prabhupada explica que a causa básica do pecado é a deliberada desobediência às leis da natureza. Para ilustrar este ponto, ele dá o exemplo dos cães e gatos: “Para alimentarem-se, cães e gatos podem matar outros animais sem incorrerem em pecado. Porém, se um homem mata um animal para satisfazer seu paladar incontrolável, ele é responsável por quebrar as leis da natureza.
Por conseguinte, ele deve ser punido.” (p. 8)

Mantra Dois

O arranjo completo do Senhor é tão perfeito que, se uma pessoa o seguir apropriadamente, ela pode viver alegremente, mesmo dentro da natureza material. Geralmente, os seres vivos são atados por seu karma, mas as atividades da consciência de Krsna são livres de karma, e elevam a pessoa à plataforma de vida espiritual. Dessa forma, a pessoa não sente que estar no mundo material é um impedimento, e continua a prestar seu serviço devocional alegremente, aonde quer que o Senhor queira.

Este segundo mantra inicia dizendo “Se alguém continua trabalhando dessa maneira (…)”. “Dessa maneira” refere-se à maneira citada no verso anterior, ou seja, trabalhando de acordo com o conceito de isavasyam, a idéia de que Deus está no centro.

Em seu significado, Madhvacarya nos chama a atenção para o ponto de que “não é verdade que pela inação a pessoa não se ata a este mundo”. Citando o Naradiya Purana, ele diz que as pessoas ignorantes e até mesmo os jnanis incorrem em pecado por não adorarem a Krsna.

Segundo Vedanta Desika, “Este verso mostra como a pessoa com conhecimento vive toda a sua vida realizando deveres diários e periódicos, renunciando o desejo, a autoria e os resultados da ação.”

De acordo com Baladeva Vidyabhusana, “Este verso fala da necessidade de varnasramadharma de acordo com as escrituras para purificar a consciência.”

Outros Pontos Importantes:

– Karma-bandhana: cativeiro infligido pelo trabalho que se executa.

– Três tipos de ação:

* karma: ações executadas de acordo com os deveres prescritos, como mencionam as escrituras reveladas.
* akarma (ou naiskarmya): ações que livram a pessoa do ciclo de nascimentos e mortes.
* vikarma: ações que são executadas com o abuso da própria liberdade, levando a pessoa a formas inferiores de vida.

– Declaração sobre os “ismos”:

“A alma condicionada está habituada a trabalhar em troca de gozo dos sentidos – visando a seu interesse egoísta, pessoal ou estendido. O homem comum trabalha visando ao gozo de seus sentidos, e quando esse princípio do gozo dos sentidos é ampliado de modo a incluir a sociedade, a ação ou a humanidade em geral, ele assume vários nomes atraentes, tais como altruísmo, socialismo, comunismo, nacionalismo e comunitarismo. Esses “ismos” são certamente formas muito atraentes de karma-bandhana (cativeiro kármico), mas a instrução védica contida no Sri Isopanisad é que, se alguém deseja realmente viver em função de algum desses “ismos”, deve centralizá-lo em Deus.” (p. 13)

– Viver por centenas de anos:
“(…) o Sri Isopanisad nos aconselha a empregar nossa energia segundo o espírito do isavasya. Assumindo essa ocupação, talvez desejemos viver muitíssimos anos, caso contrário, o simples fato de levar uma vida longa não terá nenhum valor. Uma árvore vive centenas e centenas de anos, no entanto, não faz sentido levar uma grande vida vegetativa, respirando como foles, procriando filhos como os cães e os porcos e comendo como camelos. Uma vida humilde, centralizada em Deus, tem mais valor que uma enganosa vida colossal dedicada ao altruísmo ou
socialismo ateus.” (p. 14)

Mantra Três

Podem existir diferentes tipos de não devotos, ou pessoas que não reconhecem o
princípio do isavasya, mas, em todos os casos, eles estão condenados. A forma humana de vida é uma oportunidade única para se livrar das perplexidades da existência material, as quais prendem a alma condicionada em um labirinto de dificuldades quase intransponíveis.

Infelizmente, as pessoas geralmente estão envolvidas em estilos de vida
animalescos, nos quais a gratificação dos sentidos é a meta, e não estão interessadas em vida espiritual. Neste verso, tais pessoas são chamadas de atma-hanah, ou matadores da alma.

– Conceito de Atma-hanah:

Vedanta Desika define matadores da alma como “aqueles que não se engajam em
conhecimento, mas, ao invés disso, se ocupam em outras buscas tais como o acúmulo de riquezas, rejeitando o conhecimento do Senhor.

Baladeva Vidyabhusana diz que “A expressão atma-hanah (matadores da atma) refere-se àqueles que se enredaram em repetidos nascimentos (por desejarem desfrute em excesso).” Ele também comenta que este verso critica aqueles que estão adictos a agirem em prol de seu próprio desfrute.

Ainda com relação ao conceito de atma-hanah, Srila Bhaktivinoda Thakura declara
em seu comentário deste verso: “Aqueles que não trabalham visando dharma, aqueles que não realizam dharma para alcançarem desapego, e aqueles que não se abrigam no desapego buscando cultivar espiritualidade, realizam karma, dharma e desapego somente por motivos egoístas, para gratificarem seus sentidos, e não para ajudar em seu avanço espiritual. Suas vidas, portanto, são semelhantes a morte em si. (…) Aqueles que agem assim colocam sua alma em um estado entorpecido, quase como destruída. Portanto, eles são chamados de matadores, destruidores de suas almas.”

Srila Prabhupada utiliza uma belíssima analogia para ilustrar este tópico: “O mundo material é às vezes comparado ao oceano, e o corpo humano a um sólido barco projetado especialmente para cruzá-lo. As escrituras védicas e os acaryas, os preceptores santos, são comparados a hábeis barqueiros, e as condições propícias proporcionadas pelo corpo humano são comparadas a brisas favoráveis que ajudam o barco a navegar suavemente rumo ao destino desejado. Se, com todas essas condições favoráveis, o ser humano não utiliza plenamente sua vida para alcançar a auto-realização, ele deve ser considerado um atma-ha, um matador da alma.” (p. 16)

A – A vida humana se caracteriza por deveres e responsabilidades elevados. Quando tais deveres são encarados apropriadamente, o Senhor provê completamente as necessidades da vida.

Srila Prabhupada declara que “A vida humana se distingue da animal por causa de sua profunda responsabilidade.” (p. 15) Para ilustrar este ponto, Srila Prabhupada usa uma analogia: “Por que o homem recebe uma vida melhor do que a vida do porco e de outros animais? Por que um funcionário de alto posto do governo recebe melhores condições do que aquelas recebidas por um funcionário comum? A resposta é que o funcionário que está em um posto elevado tem de desempenhar funções de natureza superior. Do mesmo modo, os deveres que os seres humanos têm que executar são superiores àquelas dos animais, que apenas vivem ocupados em alimentar seus estômagos famintos.” (p.16)

B – Aqueles que ignoram as responsabilidades da vida humana devem trabalhar muito duramente e sua segurança econômica é sempre flutuante. E após esta vida?

Srila Prabhupada declara que as leis da natureza forçam as ditas pessoas civilizados que não se importam com auto-realização a trabalharem de forma muito pesada, e mesmo assim elas vivem ameaçadas pelo desemprego. E este verso do Sri Isopanisad declara que, após esta vida, tais materialistas “são obrigados a transmigrar aos planetas dos asuras e nascer em espécies de vida
degradadas, nas quais têm que trabalhar arduamente em ignorância e escuridão.” (p. 17)

C – Conclusão: Os seres humanos não foram criados para resolver apenas seus problemas econômicos numa plataforma oscilante, mas, para resolver definitivamente todos os problemas da vida material, exercendo sua natureza original como almas espirituais.

Outros Pontos Importantes:

– Definição de suras e asuras:
* Suras: Aqueles que conhecem a responsabilidade da vida humana e trabalham nesse
espírito.
* Asuras: Aqueles que negligenciam ou não conhecem tal responsabilidade.

– Destino da pessoa que ingressa no caminho da auto-realização, mas não completa o processo:
* Nascimento em família suci: família de brahmanas espiritualmente avançados.
* Nascimento em família srimat: família de vaisyas, membros da comunidade mercantil.

“Se até mesmo um candidato fracassado recebe a oportunidade de nascer em numa família nobre e respeitável, nem se pode imaginar a condição lograda por alguém que saiu bem sucedido. (…) mas aqueles que nem sequer fazem uma tentativa, que preferem ficar cobertos pela ilusão, que são muito materialistas e são apegados ao gozo material, terão que entrar nas mais escuras regiões do inferno, como confirma toda a literatura védica.” (p. 18)

Por Haridarshana Dasa


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