O caminho óctuplo do Yoga

yoga[1]

Pantanjali, autoridade em Yoga, que viveu provavelmente no século II d.C. foi um grande adepto do Yoga com propensão para a filosofia. Ele compilou e sistematizou todo o conhecimento existente sob forma de aforismos em sua obra “Yoga Sutra”. Em sua obra diz que o Yoga proporciona cessação das ondas mentais (Vritti – flutuações da consciência). No entanto, o caminho para alcançar esse estado de controle mental não é tão simples e envolve 8 passos que o praticante deve seguir, são eles:
1. Yama: Representa as observâncias morais que formam a base da disciplina espiritual. Existem 5 yamas: Ahimsa – não violência, Satya- veracidade, Asteya- não roubar, Brahmacharya- castidade, Aparigraha- ausência de cobiça, de possessividade.

Os 5 yamas, na verdade, são condutas morais que uma pessoa de bem que está em busca do seu desenvolvimento espiritual deve ter. Em relação à brahmacharya (Brahma significa infinito, charya significa mover-se no infinito) não significa abstinência total de sexo, somente, escolher e focar na relação sexual que valha à pena energeticamente, já que no ato sexual há troca de fluídos vitais, hormônios e energia sutil. Através do orgasmo é possível se conectar com a energia divina e com isso trazer energia criativa para a vida. Na Índia a prática do tantrismo é muito comum – tantra significa “o que conduz ao conhecimento”. Na filosofia tântrica a mulher é considerada uma Divindade e no sexto tântrico ocorre o adiamento máximo do orgasmo a fim de obter prazer prolongado. Toda a energia retida, quando é liberada se transforma em êxtase total, proporcionando elevação espiritual. A retenção do sêmen aumenta também a longevidade masculina.

2. Niyama: Auto-controle. É composto de 5 práticas: Shanca – pureza, purificação do organismo – inclui alimentação vegetariana, limpeza das vias respiratórias, do aparelho digestivo e excretor e limpeza do ambiente em que se vive; Santosha- contentamento, manter um estado interno de alegria independente das influências externas; Tapas – austeridade, ascetismo. A prática de Tapas tem como objetivo eliminar desejos egocêntricos, inferiores; Svadhyaya- estudo, auto-conhecimento, estudo da metafísica do Yoga; Íshvara Praridhâna – devoção ao Senhor.

3. Asanas: Prática de posturas do yoga. O Hatha Ratha Âvali, manual de Hatha Yoga, nomeia 84 asanas divididas em duas séries.

4. Pranayama – Técnicas de controle da respiração.

5. Pratyahara: Refere-se ao recolhimento dos sentidos de forma voluntária.

“Como a tartaruga retrai os membros para dentro do corpo, assim o yogin deve recolher os sentidos para dentro de si mesmo.” (Goraska-Paddhati)

6. Dhâranâ: Ligação da consciência a um único ponto. Refere-se à concentração focada em uma única direção. Representa um ajuntamento de energia psíquica que é acompanhado de um elevado grau de inibição sensorial e desaceleração do pensamento.
7. Dhyana: Meditação. Continuação do Dhâranâ. Quando seguida com muita disciplina a meditação leva à obliteração final dos depósitos kármicos subconscientes, isto é, à completa reestruturação da identidade pessoal.
8. Samadhi: Êxtase. Libertação por meio da completa transmutação da consciência. Sensação de fusão com o Universo e com o Absoluto.

Por Ana Carolina Clemente


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