Moksha e o processo libertador do yoga

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No estado espiritual mais elevado, estaríamos plenamente satisfeitos e essa seria a situação mais feliz e gratificante em que poderíamos estar. Entretanto, não podemos dizer que seja melhor qualquer coisa imediatamente prazerosa, porque, como sabemos, em um bom exercício físico às vezes temos que nos esforçar bastante. Se dissermos que somente as atividades que de imediato produzem a maior gratificação são válidas, jamais nos exercitaríamos, treinaríamos ou faríamos qualquer coisa com diligência e paciência.

“O que é isso que se espera que entendamos ? Quando libertos para onde vamos ? Existe vida após a libertação ?” Em resposta a essas perguntas, proclamei que certos fatos são objetivamente verdadeiros baseados em uma antiga tradição do yoga. Logo, espero que ninguém pense que sou um inquisidor por fazer isso. ” Onde gostaríamos de estar para sempre” é o conceito de libertação. Digamos que nos seja possível existir perpetuamente. Dado um cardápio, em qual estado gostaríamos de existir eternamente ? Se analisarmos as tradições espirituais por todo mundo – tanto na grande tradição vedantista do yoga na Índia quanto nas manifestações mais filosóficas do cristianismo, judaísmo, islã e budismo – quase não importa qual religião se analise, verificamos que existe uma divisão entre duas maneiras de pensar sobre como sobre como podemos existir para sempre e encontramos duas opções.

A primeira opção é o impersonalismo. Nessa opção, são falsas as sensações, os sentimentos e as crenças de somos indivíduos, sementes individuais de consciência, de que temos livre-arbítrio, emoções e pensamentos próprios, espaços particulares dentro de nós etc. Contrariando uma sensação muto forte – aliás, a mais poderosa que temos – e tudo que nos parece mais óbvio, segundo essa forma de pensar, não somos pessoas, pois isso é uma ilusão.

Ironicamente, não podemos dizer ! você está em ilusão” porque “você” não existe, nem podemos dizer “isto está em ilusão” porque não somos “isto”, um objeto. Também é muito difícil falar sobre como entramos em ilusão, pois assumindo que, quando nos iluminamos, ou melhor, quando “aquilo que pensávamos que éramos nós se torna iluminado, a essa altura há somente uma realidade, uma Verdade. E não podemos dizer que somos parte dEla, porque Ela não tem partes – se as tivesse, não seria a Unidade Perfeita. Como a Verdade Única de alguma forma acabou tão desconcertada que há bilhões de pessoas no mundo,todas convencidas de que são pessoas individuais, e de alguma maneira estão em ilusão, precisando ir ao centro monista mais próximo a fim de se desfazerem desta ilusão de ser uma pessoa ? Como isso aconteceu com o Uno ? Porque se existe a Verdade Una em ilusão, então são duas coisas : a Verdade Una e a ilusão. Porém, eles dizem que “nós” estamos em ilusão, mas nós não existimos, tampouco existe a ilusão. Encontramos esse sistemade pensamento em todas as religiões do mundo entre certos místicos e pensadores. É muito difícil falar sobre isso, pois é muito contraditório. Portanto, frequentemente eles dizem que não se pode expressar com palavras. Enfim, estou tentando ser imparcial, mas é desafiador.

A segunda forma de pensar, que também encontramos em todas as tradições espirituais do mundo entre os pensadores que a propagam, é o personalismo. Somos realmente pessoas : você é você, eu sou eu e todos são em si próprios. Na verdade é maravilhoso ser uma pessoa. A melhor coisa que poderia acontecer é sermos uma pessoa, existirmos. O problema é que nos equivocamos quanto a nós mesmos. Se nos entendermos apropriadamente, poderemos ter uma vida pessoal perfeita para sempre – é apenas uma questão de conhecimento.

De acordo com esta explicação, se perguntarmos como viemos a este mundo e por que estamos em ilusão, a resposta é : porque existem duas abordagens básicas na vida, e escolhemos a errada. Os dois movimentos psicológicos, ou emocionais, básicos na vida são dar e receber. É muito simples : quando damos, estamos realmente sendo nós mesmos, e quando recebemos, no sentido de tentarmos desfrutar egoisticamente, estamos, na verdade, esquecendo-nos de quem somos.

* Um ser vivo serve outro ser vivo até o Ser vivo Supremo que é a raiz de toda a existência. Quando se rega a raiz todas as partes integrantes desta árvore são nutridas. Assim regando a raiz da existência nos tornamos nutridos, satisfeitos, perfeitos e amorosos. A raiz da existência assim como nós é um indivíduo, logo uma pessoa. Por conseguinte a liberação (moksha) é viver eternamente um amor perfeito com a Pessoa perfeita no plano divino. Isto é estar livre da ilusão (maya) e viver uma existência verdadeira em perfeita união, yoga.

Do livro Razão e Divindade.
Autor Hridayananda das gosvami ( Howard J. Resnick, Ph.D. )
Comentário pós asterisco – Hari Darshana Dasa
Namaste !


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